Benedito sempre foi santo, desde
que se entendeu por gente! Ou melhor, por santo.
Vivia em cima de um oratório,
pousado em uma toalhinha de crochê, encardida pela poeira. Aos seus pés algumas
flores, já sem cor, desbotadas pelo tempo. E ao seu lado velas. Muitas delas,
acesas dia e noite.
Ele morava na casa do prefeito.
Homem falante, bem relacionado, mas que tinha como vício passar as madrugadas
jogando.
Dona Nicinha, sua esposa, supria as
ausências do marido devotando seus santos. Entre eles, o seu protetor era
Benedito.
Noca era quem cuidava da casa e
também de Benedito. Tirava dele o pó da cidade e o peso dos pedidos de dona
Nicinha.
Noca também tinha seus segredos
com Benedito. Ela queria ter uma casa própria, todinha dela. E ela já tinha
prometido a Benedito que se ele a ajudasse, teria um cômodo todinho pra ele na
casa nova (por cômodo leia-se uma mesa!), e assim como na casa da patroa ela
teria uma imagem dele para proteger e abençoar seu lar.
Um dia Noca amanheceu alegre,
cantando, limpando a casa como se fosse algo muito divertido. Mas, como
profetizava sua avó: “Alegria em casa de pobre é peia”!
Enquanto ela limpava o oratório,
Benedito escapuliu de suas mãos, rodopiou pelo ar, ela inutilmente tentou
segurá-lo. Ele girou umas três ou quatro vezes e se estatelou no chão!
Continua amanhã...
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